Fraudes financeiras, como os golpes de boletos falsos, afetam muitos consumidores brasileiros. Especialistas alertam sobre os cuidados necessários e as ações preventivas que devem ser adotadas para evitar esse tipo de crime.

A gestão financeira no Brasil enfrenta desafios consideráveis, especialmente em tempos de instabilidade econômica e falta de previsibilidade. Nesse cenário, as fraudes se tornam uma preocupação crescente, já que evoluem a cada ano, tanto no ambiente físico quanto no digital. O golpe do boleto falso, particularmente recorrente no início do ano, é uma das fraudes mais comuns e afeta até os consumidores mais cuidadosos.

Golpes no IPTU e IPVA

De acordo com Stefano Ribeiro Ferri, especialista em Direito do Consumidor e assessor da 6ª Turma do Tribunal de Ética da OAB/SP, tributos anuais como IPTU e IPVA são alvos frequentes de golpistas. Esses criminosos tentam enganar o contribuinte criando documentos falsificados que imitam as cobranças legítimas.

Entre as táticas utilizadas pelos golpistas, Ferri destaca:

  • Boletos falsificados do IPTU: Cobranças fraudulentas, parecidas com as originais, são enviadas pelos Correios no período de emissão dos impostos municipais.
  • Sites fraudulentos: Golpistas criam páginas que imitam as plataformas oficiais do DETRAN ou da Secretaria da Fazenda, oferecendo “vantagens” duvidosas para atrair vítimas.
  • Mensagens eletrônicas: Links maliciosos são enviados via SMS ou WhatsApp, direcionando as vítimas a sites falsos.
  • E-mails fraudulentos: Correspondências que imitam a identidade visual das prefeituras, muitas vezes com boletos anexados ou links enganosos.
  • Telefonemas: Golpistas entram em contato oferecendo descontos e orientam o consumidor a fazer transferências bancárias para obter vantagens falsas.

Como Evitar Cair em Golpes

Para se proteger dessas fraudes, Ferri recomenda algumas precauções essenciais:

  • No caso do IPTU, o mais seguro é acessar diretamente o portal oficial da prefeitura e verificar a cobrança usando dados específicos do imóvel ou informações do proprietário, evitando links de mensagens ou e-mails suspeitos.
  • Ao receber boletos impressos, é importante conferir se o remetente é realmente a Secretaria da Fazenda ou outro órgão municipal. Verificar os dados do beneficiário no boleto, como o CNPJ, é uma boa prática.
  • Muitos municípios oferecem aplicativos oficiais ou atendimentos presenciais para consulta e emissão de segundas vias, o que pode agregar mais segurança.

Cuidados com o IPVA

As mesmas precauções valem para o IPVA: acessar diretamente o site oficial do DETRAN ou da Secretaria da Fazenda e consultar a situação usando o número do RENAVAM e a placa do veículo é a forma mais segura de verificar o débito. O boleto deve ser gerado pela plataforma oficial.

Ferri também recomenda que os pagamentos sejam feitos em locais seguros, como bancos ou casas lotéricas conveniadas. Aplicativos bancários e governamentais também são opções recomendadas para emitir boletos e consultar débitos de forma segura.

E Se Pagar um Boleto Falso?

Se, por engano, um consumidor pagar um boleto falso, as seguintes ações devem ser tomadas imediatamente:

  1. Contactar o banco para solicitar o cancelamento ou rastreamento do pagamento.
  2. Registrar um boletim de ocorrência sobre a fraude.
  3. Notificar o órgão responsável pela cobrança, como a prefeitura (para o IPTU) ou o DETRAN (para o IPVA), buscando orientações sobre como proceder.
  4. Guardar todas as evidências, como capturas de tela, mensagens recebidas e boletos, como provas.

Denunciar tentativas de fraude não só protege o indivíduo, mas também contribui para que medidas preventivas sejam adotadas pelas autoridades, beneficiando toda a comunidade. Manter a vigilância é essencial para reduzir os riscos de fraudes financeiras no Brasil.

Fonte: Jornal Contábil

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